Acidez e peróxido: o que realmente acontece com as gorduras e como os antioxidantes atuam

A qualidade de óleos, farinhas de origem animal e rações está diretamente ligada à estabilidade das gorduras. Dois indicadores são decisivos nesse controle: índice de acidez e índice de peróxido. Embora muitas vezes avaliados separadamente, eles fazem parte de um mesmo processo de deterioração lipídica.

Como a acidez se forma? 

A acidez está relacionada à hidrólise dos triglicerídeos. Na presença de água, umidade elevada e enzimas lipolíticas (naturais do ingrediente ou de microrganismos), ocorre a quebra da ligação entre o glicerol e os ácidos graxos.

O resultado é a liberação de ácidos graxos livres, que elevam o índice de acidez e indicam perda da integridade da gordura.

Esse processo é fortemente influenciado por: 

  • umidade e atividade de água; 
  • condições inadequadas de armazenamento; 
  • matérias-primas de origem animal com histórico térmico severo.

Como os peróxidos se formam?

O índice de peróxido está associado à oxidação lipídica. Diferentemente da hidrólise, a oxidação não depende de água. Ela se inicia quando a gordura entra em contato com: 

  • oxigênio do ar,
  • calor,
  • luz,
  • metais como ferro e cobre.
    Esses fatores levam à formação de radicais livres, que atacam as duplas ligações dos ácidos graxos, principalmente os insaturados. Esse ataque gera peróxidos e hidroperóxidos, considerados os produtos primários da oxidação.

    Se a reação não for controlada, ela evolui para a formação de aldeídos, cetonas e ácidos orgânicos, intensificando o ranço e a perda nutricional.

    Qual a relação entre acidez e peróxido?

    Embora sejam processos distintos, eles estão conectados. Ácidos graxos livres, formados na hidrólise, são mais suscetíveis à oxidação do que quando estão ligados ao glicerol. Ou seja, aumento de acidez facilita a oxidação.

    Por outro lado, a oxidação avançada gera compostos que podem contribuir para aumento secundário da acidez. Por isso, analisar apenas um indicador não é suficiente para entender a real condição da gordura.

    Onde entram os antioxidantes?

    Antioxidantes como BHA, BHT e etoxiquina atuam de forma decisiva no controle da oxidação lipídica. Eles funcionam como antioxidantes primários, interrompendo a reação em cadeia dos radicais livres.

    Na prática:

    • o radical livre tenta atacar a gordura;
    • o antioxidante reage primeiro;
    • a reação é neutralizada e não se propaga.

    O efeito direto é a redução da formação de peróxidos, preservando a estabilidade da gordura e retardando o ranço. Ao controlar a oxidação, os antioxidantes 

    evitam que a degradação avance rapidamente, reduzindo a formação de compostos oxidativos que agravariam a acidez e comprometeriam o produto.

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